Arquivo mensal: dezembro 2007

I’m oh sooo lonely ou ai que drama, meu bem!

Ontem foi o meu primeiro dia de solidão do ano. Incrível, né?
Casa vazia, um silêncio, uma quietude, um certo incômodo.
Ai eu descubro que a agitação é minha, não tem outro dono aqui.
…desorganiza a minha rotina, na verdade, isso de não ter ninguém em casa.
Em certos momentos a sensação era de estar numa igreja vazia, sabe?
Até no telefone eu falava baixo, com medo de fazer um eco monstruoso.
O som nítido da rua me fez companhia na madrugada… uns filmes, uns livros e a quietude.
O resto da casa escura fica um pouco assustadora e parece que eu tenho 5 anos de novo, com medo de atravessar o corredor sem luz pra ir beber água. Medo besta, sô!
E eu fui fazer o quê, na minha insônia solitária?
Escrever, uai! Pra dar som aos pensamentos, fazer barulho, nem que seja com a caneta deslizando macia no papel.
Há muito muito tempo eu não temia o silêncio.
***
Amores, eu vou ali, repor minha falta de iodo que altera perigosamente o meu humor e tomar uma overdose de dendê, pra me salvar da falta de jogo de cintura.
Volto em breve…nem tão breve assim, graças a Deus! Janeiro, lá pro fim.
Fiquem ótemos!
E que 2008 seja O nosso ano!
Delicioso, desafiador, cheio de sucesso, com saúde e harmonia sobrando & sorrisos idem!
Beeeeijos
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Pedacinhos de amigos

Primeiro que eu tenho que ajoelhar e agradecer, né, fias?

Cês sabem de quem eu tô falando, cada uma de vocês!

Mas nos últimos dias, as amigans daqui têm dito cada coisa, que só registrando.

***

– Poutzgrill (ela fala assim!), eu sou cagada de arara?

– Hã? Quê isso? hehehehe

– Você conhece alguém que já conseguiu tomar uma cagada de arara?

– Hauhauhauhauahuahuhauha

– O cara tem que estar totalmente errado,
lugar, hora, tudo pra conseguir isso, né?
A minha cara!

***

– Eu acho que no dia que eu me apaixonar de novo,
a pessoa vai ter um surto, mudar pro Azerbaijão…
fazer uma cirurgia cardiovascular
daquelas que zuip abrem de cima embaixo, entende?
Ou engravidar alguém de trigêmeos…

– Ah, se você tivesse sorte, você quer dizer?

(tapa tapa tapa tapa)

***

– O fato é que eu acordei de manhã, assim, sorridente,
que até a bochecha doía.
Ai, olhei pra cama… uma bunda, né?
Affff…profissa, profissa!

– Pára bem ai com os detalhes.
Ele é meu primo, cara!

– E eu vou contar isso pra quem?
E tava aquele deus nu deitado ali, dormindo.
Ai eu pensei: que diabos estão fazendo as minhas amigas
que não estão aqui agora!?

***

E, na retrospectiva de janeiro/2007 temos:

“Talvez – e eu digo por mim, mesmo sem ter certeza disso – o que a gente estivesse procurando um no outro fosse um índice maior de delírio…ou é ainda… não sei bem. A gente sempre foi tão pouco prático, muito pouco…pouco corajoso também. Acho mesmo que nós dois tínhamos uma exigência de segurança, de realidade,que não nos permitia viver do futuro incerto…porque tínhamos, acima de tudo, um pé pesado na realidade, por mais estranho e contraditório que possa parecer. (…) Tem uma coisa que só a arte e o grande amor dão, que é essa coisa de criar outros mundos, de viver um universo paralelo possível, dentro da realidade, sem ter que ser doido, entende? Ou sendo um pouco doido, talvez.
Porque o amor avassalador e a boa arte são feitos por pessoas limítrofes, quase sempre… …Acho mesmo que, no preço total das minhas escolhas, embuti na minha decisão eu saber quanto ele pesa, quanto vale na minha vida, saber dar por isso direitinho… E, no entanto, não tê-lo”.

Eu e você. Como num filme… a câmera fica ligada, continuamente, sem pausas. Até na alta madrugada. Filma, filma tudo, sem cortes ou edições. Câmeras em panorâmica e muitos closes.
O corpo que corre, no dia; rola, suspira e sussurra, envolto no edredom. Um ronca, o outro fala dormindo. E sonhamos. Escoltados.

Nada passa despercebido. Chega a ser incômodo. Tanta atenção, tanto detalhe, tanto enredo. Tanta gente que entra e sai, da casa, da vida, do pensamento. E tudo está lá, fielmente registrado. Incomodamente, mas orgulhosamente registrado. Mas é também lindo, esse nosso roteiro em versos.

Tantas vezes viramos um pastelão. Idiotas, bestalhões. Só que a maior parte do tempo somos muito práticos, organizados, retilíneos, fáceis, sem deixarmos de lado o questionamento (essa coisa que rouba um tempo precioso dos afazeres… e estreita o coração). Uma dúvida bissexta ali, com alguma pergunta cruel que ecoa, no fundo.

Nosso tempo é quase todo de ação, de resoluções, coisas pra fazer. A cabeça corre doida, atrás dos acontecimentos. E muito se fala, muito se ouve, às vezes se chora de soluçar. Mas é raro. Porque tem muito riso, todo dia. Ta lá gravado. Às vezes há gritos irados, viscerais. Há vontades gêmeas de esgoelar, de torcer o pescoço de um, de esbofetear outro.

Mas há, mais que tudo, uma enraizada força que leva minhas mãos aos seus cabelos e encaminha docemente sua cabeça pro meu colo, antes de dormir (porque só no seu calor eu posso dormir e sonhar). E tem um imã poderoso que doma o meu olhar férreo, quando você entra em cena. E eu me comovo. Sempre. Pro bem e pro mal.

E eu sei ver quando o verde escuro dos seus olhos se ilumina amarelo de raiva, de doçura, tristeza ou encantamento. Sinto a sua respiração parar, quando eu chego da rua e te olho, morta de cansaço, quase implorando por banho, comida e colo. E suspiramos juntos. No mesmo compasso.

E há nosso acordo tácito de fiel silêncio (e nenhum de nós chegou a falar ou furar o dedo) – com um risinho parceiro e um brilhinho discreto – dos segredos, das canções, dos passa-mal, dos versos, das vergonhas, dos vexames, dos ataques de riso, dos chororôs, dos projetos, das fúrias e das entregas, da bobeira, dos sublimes, das infantilidades, desse amor cotidiano feito em atos

E já que a gente pede desculpa sempre e por tudo, me perdoa se eu não digo com a boca, o que eu falo e faço todo dia, o tempo todo, há dez natais: é você, meu amor!

E esse é um dos seus presentes de Natal.

É de manhã, vem o sol, mas os pingos da chuva que ontem caiu…

Sábado de manhã, sol com nuvens, Caetano “cantando eu mando a tristeza embora…”.
Uma preguiça infinita, modelo daqui-eu-num-saio-daqui-ninguém-me-tira. Fome/gula de acordar comendo que nem uma francezinha (croissants e manteigas e queijos deliciosos e chocolate quente) e a manhã voa…dá uma estranha sensação de poutz, eu perdi a metade do dia.
…Mas é sábado, vai. E eu posso perder até o dia inteiro preguiçando, uma vez ou outra. Sem culpa (é, eu tento).

Ai eu lembro como eu gostava, quando era menina, de ficar deitava, num dia como este – nem frio, nem quente, fresquinho e gostoso -, só admirando as coisas ao meu redor. E ganhei dessa época um encantamento que eu tenho comigo, de ver as pessoas que eu amo fazendo coisas simples, como se fossem as mais importantes do mundo. E que, na verdade, são.

E eu fazia um joguinho mental absolutamente solitário, que era o de “dedicar” a cada tarefa de cada pessoa, uma música. Às vezes era engraçado. Mas como sempre fui besta e mole pra rir, rir sozinha também virou um dos meus esportes.

Fiquei vendo meu filho mais velho dando comidinha e água pra Gaia, nossa cachorrinha, de um jeito doce e, que eu me lembre, deve ser a primeira vez que ele faz isso sem ninguém mandar. Pensei que ele já ta assumindo a própria vida. Ele deu outros sinais disso já, com a escola e a namorada e tals. E com a curiosidade com a cozinha, que eu, particularmente, acho lindo e encantador.

E ele ganhou ares de moço, estabelecendo prioridades, fazendo escolhas que eu até hoje acho difíceis de fazer…como não querer ir a um almoço de família porque acho mais importante, neste momento, ver os meus amigos. E ele é libriano – o que por si só já embute na pessoa uma dificuldade de decidir – mas ele decide, escolhe e enfrenta com doçura os questionamentos de, por exemplo, não ir ver os avós, neste caso. Eu fico UAU, como diz a Mary W.

“Oh, meu amigo, meu herói

Oh, como dói saber
Que a ti também corrói
A dor da solidão
Oh, meu amado, minha luz
Descansa tua mão cansada
Sobre a minha
Sobre a minha mão
A força do universo não te deixará
O lume das estrelas te iluminará
Na casa do meu coração pequeno
No quarto do meu coração menino
No canto do meu coração espero
Agasalhar-te à ilusão
Oh, meu amigo, meu herói.”

Porque a solidão não é só tristeza, é também essa coisa de tomar decisões by yourself, né? E crescer não é indolor.

Presentes virtuais que valem ourooooo!

Tamos no fim do ano, né?
É, amiga dona de casa, avuou.
Eu sei.

Aqueles balancinhos vão sendo feitos. Mesmo sem querer, eles vem chegando, exigindo alguma revisão, alguma olhadela pra trás.
… Sem chance de escapar.

Daí, faltando apenas 27 dias pra 2008 e, respectivamente, pro seu aniversário, um cara que você conheceu moleca – adola, chata pra cascalho e que ainda assim gostava de você – te manda um presente assim, ó:

http://web.mac.com/bruno71/Bruno/Muzga/Muzga.html

Uia…que isso dá superávit no meu balancinho!

Coisa mais linda, Brunits!

Seu Nestor X Ressonância Schumann

O que foi provado da tal de Ressonância Schumann , que afirma que o meu dia não tem mais 24 horas, mas 16h?


Assim fica impossível seguir a dica do seu Nestor, um senhor simpático, mineiro e falador, de 82 anos, sentado ontem próximo ao parquinho da minha quadra, que olhava as crianças brincando e me dizia que a sabedoria da vida consiste em dormir 8 horas, trabalhar 8 horas e usar as outras 8 pro divertimento – puxando bem nos erres.

Tivemos uma engraçada conversa que terminou com um sábio conselho: “há mais de 40 anos, eu danço 4 horas, três vezes por semana. Você bote os seus filhos numa escola de dança de salão, viu? Porque o dançarino sabe levar as moças e daí não se corre o risco delas devolverem os meninos pra mãe, depois dos 20 e poucos anos, por falha de pegada”(pausa pra minha vontade de espocar de rir com essa).


Entre idas ao passado e voltas repentinas aos dias atuais (ele é fã do Lula:“ali tem um homem de fibra, mas o coração dele é bobo e engana ele”), ele me contou que foi médico, sempre foi “desse jeito delicadíssimo”, teve mais de uma esposa “oficial” – teve quatro e com elas fez oito filhos – e que nunca admitiu ser mal tratado, sob nenhuma hipótese. O preço disso podia ser ele sumir de um dia pro outro, sem maiores explicações, deixando como rastro apenas o detalhe da falta de um par de meias e uma cueca, na gaveta. E de menos uma muda de roupa, no armário.

Ele catequisa que ninguém tem que ser infeliz ou tolerar falta de cuidado, “porque o que seca o coração é a falta de delicadeza, poesia e atenção”. Mas reconhece que, quando muito novo, “pode ser que tenha sido impaciente ou intolerante”. E confessa que apenas de uma das moças ele tem saudades reais, porque “era boa pessoa demais, com um coração doce, tranqüilo e sereno. Me chamava de Tôzinho”. Um tipo de gente rara, segundo ele.

Seu Nestor tem um brilho inquieto, um jeito de quem ainda se encanta com o mundo. Eu perguntei o que ele mais gostava de fazer e ele mandou: “gosto de ler e gosto de gente. Num a gente imagina, no outro a gente descobre. Gosto muito de conhecer gente. Com mais de 80, tenho um faro apurado pras pessoas de bom coração. E, cercado delas, acho que emplaco 2025!”

Por causa da proliferação de bares nas redondezas, tema que quase o leva à ira, ele terminou a conversa me contando um negócio engraçado, de um ex-sogro que gostava muito de “tomar as cachacinhas”, coisa que ele jamais se habituou a fazer. A família da ex-mulher já andava cansada das muitas tentativas em fazê-lo deixar de beber e a sogra era um espetáculo: mulher jovem e cheia de energia, animada, “sacudidona” e visivelmente decepcionada pelo péssimo hábito do marido. Seu Tôzinho tinha passado uma tarde na casa da família e, na hora de ir embora, disse ao sogro: “se eu fosse você, eu parava com isso, largava esse copo…porque se eu que sou genro pegava, imagine os outros”. Nem o AA faria melhor: o cara deixou de beber no outro dia.

E se não fosse a urgência dos 5 anos do meu caçula, eu teria ficado mais. Fico sempre encantada com gente que fala bem… E ouviria por horas e horas histórias assim.
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Cenouras e cenoures,
sou a mais nova possuidora de uma Falmiseta!
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RÁ!
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ATENÇÃO: Apenas babadores inoxidáveis darão conta dessa gosma verde e ácida que escorre sem controle de suas bocas!