Arquivo mensal: março 2009

A Bela saiu!

Eu tento, sabe?

Leio tudo que me desperta, sento pra meditar, ouço o que me acalma. Eu tento.

Como coisas leves, no calor. Tomo muita água. Eu tento.

Me abrigo bem no frio. Aqueço os pés. Uso lenços e luvas, se for preciso. Eu tento mesmo.

Olho com novidade, mesmo que sejam os mesmos lugares, as mesmas coisas, as mesmas pessoas. Eu me empenho.

Mas sabe quando a água ferve e aquelas bolhas sobem e espocam?

E sabe quando são muitas?

Todas ao mesmo tempo?

Sono io.

***

Uma amiga mandou esse recado. Na minha língua, ia ser “Toma o seu rumo.”

Mas olha que diferença quando a pessoas é classuda.

Eu achei fino esse recado.

Jamie Cullum, com aquela voz clara feito a luz.

Adoro!

A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA

Achei essa a resposta mais sensacional ao causo da excomunhão. Direta e reta. Bem humorada. Brasileiríssima, como só um repente de cordel pode ser.

A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA

*Miguezim de Princesa

Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.

IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.

X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão

*poeta paraibano radicado em Brasília

Um convite a quem não viu e não gostou

Replico o ótimo texto, porque vivencio e acompanho de muito perto o esforço cotidiano pra fazer uma televisão (e toda holding EBC) da mais alta qualidade, com isenção, inovação e transparência.

Pra mim, apesar de tudo, tem sido desafiante e prazeroso.

Um convite a quem não viu e não gostou

Helena Chagas, diretora de Jornalismo da TV Brasil

O maior fiscal da TV Brasil é a sociedade, a quem ela deve prestar contas de cada ação, cada centavo gasto, cada segundo de programação no ar. A TV pública é uma instituição mantida com recursos públicos e criada para servir ao cidadão e não aos governos, como dizem alguns. Contamos com instrumentos de controle social, como o Conselho Curador e a Ouvidoria, e estamos aprimorando outras ferramentas de interatividade. Críticas sobre conteúdo e forma dos programas são bem-vindas, pois nos ajudam a trilhar o caminho certo a partir dos primeiros passos: levar ao cidadão informação completa, plural e isenta, para que ele possa refletir sobre a realidade e ser o senhor de suas escolhas.

Porém, 15 meses no ar registraram estranho fenômeno. A grande, vasta maioria das críticas e ataques à TV Brasil tem partido de quem claramente não está assistindo à TV Brasil: é a turma do não viu e não gostou. É minoritária (aviso aos navegantes: pelo Ibope, nossa audiência não é traço), mas influente e barulhenta. Esses não-telespectadores têm na TV pública brasileira uma espécie de Geni do controle remoto das televisões abertas.

Explicar por que nos levaria a mais uma enfadonha discussão sobre radicalização política. Mais construtivo é tentar mostrar o que esse pessoal anda perdendo. Por exemplo, o Repórter Brasil (RB), manhã e noite, mostrando gente e lugares que o Brasil que não vai além de São Paulo, Rio e Brasília não tem muita chance de ver. A TV Aldeia, do Acre, deu-nos um furo mundial com os índios que nunca tiveram contato com os brancos. As TVs estrangeiras correram atrás de nossas imagens. A TV Antares, do Piauí, permitiu-nos dar a conhecer as mazelas da população de Alegria, que não tem cemitério e enterra seus mortos no quintal. A Redeminas acompanha para nós, passo a passo, o drama dos demitidos da crise financeira nas grandes empresas no interior. E o pessoal do Acre, do Piauí, do Tocantins (lá estamos em 101 cidades) e outros parecem estar gostando de se ver: o RB é veiculado hoje em rede em 21 Estados, por adesão espontânea de emissoras universitárias e estaduais do campo público. Elas não fazem parte da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), controladora da TV Brasil, mas perceberam que, com todas as precariedades técnicas e de transmissão, há algo de novo no ar.

Quem não viu e não gostou está perdendo os vídeos do Outro Olhar do RB, experiência inédita de jornalismo participativo na TV aberta brasileira. Até agora, 120 produções da população, como a dos moradores da Favela do Vidigal (Rio) sobre sua realidade; a dos pescadores da Paraíba sobre os efeitos do aquecimento global; a dos moradores do único quilombo urbano do Brasil, em Porto Alegre; e as dos índios pataxó e tupinambá, online em suas aldeias. Também não viram matérias em formato de rap sobre o cotidiano dos moradores de rua de São Paulo, que renderam ao jornalismo da TV Brasil seu primeiro prêmio. E perderam explicações úteis e didáticas do Repórter Brasil Explica. O que são commodities? Como funciona essa coisa que chamam de Orçamento da União? O que é nepotismo? E pré-sal?

Quem não sintonizou a TV Brasil também não viu o De lá pra cá, história e cultura em altíssimo astral com os jornalistas Ancelmo Góis e Vera Barroso, com entrevistados que vão de Caetano Veloso e Bibi Ferreira a Ruy Castro. Pena não terem visto também o Caminhos da Reportagem navegar toda a extensão do Rio Amazonas e mostrar como vivem as populações ribeirinhas. E nem ficarem sabendo que fomos a primeira emissora estrangeira a entrar no Tibete após o conflito dos monges. Perderam ainda a cobertura das eleições, das Paraolimpíadas na China, das festas juninas ao vivo. Nem viram os debates do 3 a 1, com participantes de alto nível e tempo para aprofundar assuntos de interesse da sociedade: violência, crise econômica, aborto, célula-tronco, emprego.

Falta espaço para falar do que mais a turma não viu e não gostou. E também para comentar sandices de ex-funcionários demitidos por razões profissionais – um âncora e editor-chefe que se recusava a cumprir jornada maior do que cinco horas diárias e um diretor de programa que não gostou da introdução do cartão de ponto. Buscaram seus minutos de fama jogando mais umas pedrinhas na Geni, surfando na inusitada comoção que provocam demissões na TV Brasil, raramente registrada com outras emissoras.

Mas a verdade se impõe. Da acusação de chapabranquismo, restou pormenorizado estudo aprovado pelo Conselho Curador em 12/8/2008, feito pelos conselheiros Cláudio Lembo, José Paulo Cavalcanti e Ima Vieira, concluindo ser o Repórter Brasil “jornalisticamente correto e politicamente isento”. A ridícula ilação a respeito de supostas relações da diretora de Jornalismo da EBC e do presidente da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp) com empresa de comunicação será demolida em interpelação judicial: tal empresa não tem nenhum contrato, relação profissional ou comercial com a EBC nem com os profissionais citados.

Fizemos, sim, ótima entrevista com o presidente Lula, tão boa e cheia de notícias que toda a mídia usou e repercutiu. Assim como no mesmo espaço do 3 a 1 entrevistamos Fernando Henrique Cardoso, que, elegantemente, inaugurou nosso estúdio em São Paulo. Mantemos também produtiva parceria com a TV Cultura de São Paulo, de quem exibimos o Roda Viva. É que não dividimos o mundo entre tucanos e petistas, chavistas e antichavistas, governistas e oposicionistas. Quem assiste à TV Brasil já percebeu que todos os que têm algo a dizer de interesse do cidadão brasileiro têm espaço nos noticiários e programas, sempre abertos ao confronto equilibrado de ideias. Para quem não viu e não gostou resta o convite: critique à vontade, mas antes veja a TV Brasil.

Chegando

Vim pra cá contente com as possibilidades do WordPress, mas já chego fazendo uma reclamação, porque eu não ando sozinha nesse mundão de Deus: não consigo importar meus links queridíssimos, ficaram todos lá. Tô desolée.


Mas como boa cricrizinha da estrela, futuquei ate descobrir: tem que fazer um programinha pra ‘roubar’ meus links de lá pra cá. Senão, tem que ser no dedinho, sabe? Um por um.

Não se faz isso com quem tem centenas de link.  Mas quem tem Waltin tem tudo na vida!

Em breve, veremos a minha listinha de links queridos bem aqui do lado direito, porque ao contrário da canção, amigo é coisa pra se guardar do lado direito do blog!

ps: ah, assim que o Daniboy (capitaliiiiistaaa!) parar de barganhar a informação twitística, tb teremos twitter aqui do ladinho, viu?

ps do ps: sim, sim, vou tomar aulas de css, htlm and so on. Eu sei que eu preciso. Já pedi, tá?

Nápaula, mi amore, tirei a obrigatoriedade de cadastro no wordpress pra comentar, viu?

Casinha nova

Novos tempos se anunciam, virtual e particularmente. Por isso, porque eu gostei da plataforma e confiei mais no ambiente, porque eu tou pagando pra ter tudo de um jeito mais simples… Pra olhar, sentir e viver com mais simplicidade.


Espero que vocês entrem no meu cordão: gentileza e simplicidade, hoje e sempre. Amém!


Não tá bonitinha?


Essa foto que faz o header, eu tirei das águas quentes e translúcidas, com essa inacreditável cor de cobre, do Norte da Bahia.