Arquivo mensal: agosto 2009

Mode ‘Viúva do Cazuza’ On

(…)

Mulher sem razão
Ouve o teu homem
Ouve o teu coração
Ao cair da tarde
Ouve aquela canção
Que não toca no rádio

Pára de fingir que não repara
Nas verdades que eu te falo
Dê um pouco de atenção

Parta, pegue um avião, reparta
Sonhar só não dá em nada
É uma festa na prisão

Nosso tempo é bom
E nós temos de montão
Deixa eu te levar então
Pra onde eu sei que a gente vai brilhar

Mulher sem razão
Ouve o teu homem
Ouve o teu coração
Batendo travado
Por ninguém e por nada
Na escuridão do quarto

(Mulher sem razão, do Cazuzinha lindo de Belinha)

Num tem umas coisas assim?

Umas poesias, trechos de musica, filmes, olhares, cheiros… que mesmo depois de muito, muito tempo…um dia batem e te pegam de novo, no laço?

Cazuza é assim.

Ave, Calcanhoto, que trouxe, mais uma vez, ele de volta pra mim.

“Chegada” – ou poema uma hora dessas?

vento do mar

Entrou pelas frestas

De onde vem o vento do mar.

Ligeiro, ágil, forte.

Cheiro de areia e sal,

Sargaço e sol.

Olhos de bicho da terra

Agudos, certeiros.

Palavras de ondas.

Força de maré.

Mãos, ombros e pernas de pescador.

E uma voz que nada

Entre a rocha e a espuma –

Doce canto de sereia

Luminoso e terno,

com notas de vento.

Leve e intenso

Entrou pelas frestas,

E tomou seu lugar.

vento, cabeça de vento ou ventania na montanha

ventoooo

Eu não sei de onde vem tanto vento frio… tudo fechado e um ventinho irritantemente gelado insiste em me perturbar. Nessa sêca, ainda por cima, que torna qualquer brisazinha constante quase uma tortura pra olhos, narizes e boquinhas, eu tou de casaco e de meias, em casa… Em pleno “verão” candango.

Mas o que eu tava aqui matutando é que não consigo imaginar a quantidade de perguntas que um sujeito faça (a si mesmo) pra encontrar uma respostinha besta – a da vez seria “Eu não sei”. E é menos possível ainda que as ilações e ligações que uma mente razoavelmente bem mobiliada façam desemboquem em tantas decisões estapafúrdias. Donde devo concluir que:

1. o sujeito rasgou o verbete “dúvida” do dicionário

2. a cabecinha dele não é  bem mobiliada

3. ele é adepto de uma seita imbecilizante  que crê no ego, como quem crê em Deus (embora combata essa postura no discurso)

4. ele é um completo idiota.

Nada boas as opções.

Ou eu tou sendo muito pessimista?

***

Um linda e querida amiga me mandou essa:

– Do que você não abre mão, no seu casamento?

Fias, eu mal respondi, na hora, umas coisas meio bestas. Mas foi ela sair da minha frente e o dia acabar pra eu me dar a função, né?

E tome matutação.

Quem acha que um casamento é “mar de brigadeiro”, monotonia ou mesmice tá bem doido, viu?

Por essas bandas, é a montanha russa mais radical ever!

Deliciosa. Mas tem que ter estômago, camarada.

Semelhança

Seleção do coração

Eu gosto dessa palavra.

Adoro o som dela.

Mais ainda o significado.

Acho absolutamente maravilhoso ir descobrindo, aos pouquinhos, os fios que nos ligam, por intermédio dela, a outras pessoas.

E ver que ela tem toda graça… quando tem diferença salpicada no tempero. Assim, le-ve-men-te… Fica praticamente perfeita.

Cartas marcadas ou não

Nossa mas isso aqui tá abandonado, hein?

Chega tem montinhos de poeira pelos cantos…

Poisé, queridos, a vida tá corridinha de verdade. Os amigos estão sumidos. Acho que todo mundo entrou na roda-viva.

Os filhotes ficaram dodóis – e com essa ‘gripe pururuca’ rondando quem foi que ficou neurótica?

EU!

Pra além disso, o único assunto nacional que tem merecido meu interesse é a candidatura da Marina Silva. O resto só tem me dado um cansaço e uma descrença da-na-dos!

Tou realmente de dedinhos cruzados. Esperando que ela e o PV tenham uma linda lua-de-mel e disso resulte uma belíssima campanha de alto nível, que desemboque num governo (nada tranquilo, devido às baixíssimas possibilidades de arranjo político. Tá, isso me preocupa, mas não desanima. Porque havemos de ter esperança na criatividade e nas boas intenções, pois não?) que melhore esse país.

O Marquinho Chagas hoje fez uma análise interessante dessa provável campanha. Espero que já esteja no blog.

Entonces, beibes, vamos em frente. E assim que der eu volto.

Deixo vocês com a carta mais bonita que eu recebi nos últimos tempos. Só aviso que estão devidamente trocados os nomes, pra preservar a identidade do remetente (que me autorizou a postagem, viu?). Curtam, como eu curti.

Neguinha,

eu tou numa das fases mais confusas da minha vida, quando o assunto sou só eu. Uma confusão gigante, a sensação de atropelamento, de estar sendo levada pela vida (que eu tinha a ilusão frágil do controle), de não conseguir administrar minha sensibilidade… de estar ou aberta demais ou dura demais, inoxidável mesmo.

Tem a minha necessidade de contemplação e a falta dela que me esvazia e enrijece. Tem a eterna vontade de me dedicar exclusivamente à familia, de fazer uma revolta feminina reversa: queimar todos os meus sutiãs de renda francesa e nunca mais ter que sair de casa pra trabalhar.

Sinto falta do silêncio… e tenho uma impaciência comigo… de não me tolerar muito na indecisão, de me cobrar sempre a postura de ser aquela que indica o rumo, a que não fraqueja, a que segura todas, sem desmontar. Apesar de compreender a bobagem que é isso… de entender que ninguém sustenta esse papel por muito tempo… Simplesmente porque ele não é real.

Não te escrevo há tanto tempo que me parecem décadas. Mas leio sempre muito, com a mesma fome e o mesmo deslumbramento. Me cerco de arte, pra me salvar da mediocridade. Musica full time, poesia homeopaticamente (as suas têm me feito uma enoooorme falta. Você me deve isso, porque me acostumou mal demais. Nem desejo as dedicadas, mas qualquer uma que venha com seu sotaque), cinema de montão, teatro quando dá, telas e e-arts um pouquinho todo dia…

Tem um cansaço enorme do mundo corporativo…das encrencas, competições, da falta de ética de tanta, tanta gente. Da deformação que a lente do poder e do dinheiro dá pra quase todo mundo. Da absoluta falta de sinceridade, da manipulação, de uma incompetência que sempre vem travestida de arrogância. E do jogo. Tou profundamente exausta do jogo. De todos e qualquer um.

Preciso voltar meus olhos, toda minha sensibilidade e os meus sentidos todos pro que eu sei que importa. Preciso. Tenho que voltar a ver o mar, as minhas árvores retorcidas, a névoa seca e a neblina, os meus bichinhos, o céu. Preciso olhar nos olhos de gente que ama despudoradamente. De quem não teme julgamentos.

Preciso do abraço morno que me sossega. Preciso do conforto do colo. Sinto tanta falta da transparência… da tranquilidade de saber que do lado de lá das minhas palavras tem alguém que jamais vai fazer mau uso delas. Tou com uma saudade malsã dos meus amigos…E preciso mesmo um pouco mais de você. Mais perto.

Fora isso, pra quem passa, parece que a vida segue normalzinha, arrumadinha, toda encaminhadinha. O trabalho tá indo bem, apesar dos doidos. A família tá ótima, todos lindos e vitaminados. Duquinha tá uma senhoura comportadíssima, calmíssima, dulcíssima, depois de dar cria. Zé Luis tá correndo atrás das coisas que ele gosta, trabalhando muito. Mas tá lá, sabe? O sexo tá ótimo, com direito a carinhos, cuidados, boas conversas…mas tá longe de mim de um jeito que eu não sei explicar.

Mônica me dá o enorme prazer de tê-la perto, me mostrando a toda hora como é importante manter a doçura. Mesmo nas piores horas. E num é que a vida dela deu, finalmente, uma guinada!? Ela tá mais feliz – que era só o que eu queria!

Paula tá ótima, administrando a vida e o marido com maestria, porque aquele marido, né? Só com intervenção divina! Mas é sempre bom ficar perto da minha irmã… é até engraçado como a gente se reconhece, sem falar nada, em quase tudo. E como demorou pra gente se acertar, né? Cê lembra o tanto que a gente brigava?

Minha amiga, espero ler você em breve. Tou na abstinência braba das suas palavras e das coisas da sua vida.

Anda logo. Não demora, tá?


Doeu ai?

Ai ai…num é?

ps: cês viram a história da conta do senhorzinho? Menina!! Num depositaram R$ 320 milhões? E ninguém sabe de onde vieram ou pra onde vão?

Aqui temos até roteiro e projeto pra fazer bom uso, viu?!