Arquivo mensal: setembro 2009

Broken glass… ou o diabo do mau jeito

broken glass

“Magoar alguém é magoar você mesmo ao dobro”.  Num é desse jeitinho?

Mesmo sem intenção, mesmo distraidamente, mesmo por falta de jeito. Se essa pessoa for valiosa pra mim, então… O sentimento de culpa e a vontade de que a palavra perdão tenha seiscentos braços e possa abraçar e confortar e fazer desaparecer cada movimento ou atitude que causou a mágoa… É tudo o que resta em mim.

Se você tiver a capacidade de walk on someone’s shoes e a mínima sensibilidade, assim que reconhecer o erro – a topada, a grosseria ou o que quer você tenha feito -, corra atrás do seu magoado e peça desculpas, se explique, ou pelo menos tente, se ele permitir. Sem medir esforços, eu quero dizer. Desde ir bater à porta da criatura, até sentar no meio fio aonde você sabe que a pessoa passa e ficar lá, quarando ao sol, até que ela dê as caras.

E se ainda assim a figura em questão não quiser te ouvir – estando no direito dela, aliás -, faça como eu… E publique, onde ela leia… Quem sabe, um dia.

Até lá, camarada, deal with it. Porque pedir perdão não implica, necessariamente, ser perdoado.

Ah que falta faz um botãozinho de “delete” na vida real…

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I may know the word

I may know the word but not say it I may know the truth but not face it I may hear a sound a whisper sacred and profound but turn my head indifferent I may know the word but not say it I may love the fruit but not taste it I may know the way to comfort and to soothe a worried face but fold my hands indifferent If I’m on my knees I’m begging now if I’m on my knees groping in the dark I’d be paying for deliverance from the night into day but it’s all grey here it’s all grey to me I may know the word but not say it this may be the time but I might waste it this may be the hour something move me someone prove me wrong before the night comes with indifference if I’m on my knees I’m begging now if I’m on my knees groping in the dark I’d be praying for deliverance from the night into the day but it’s all grey here but it’s all grey to me I recognize the walls inside me I recognize them all I’ve paced between them chasing demons down until they fall in fitful sleep enough to keep their strength enough to crawl into my head with tangled threads they riddle me to solve again and again and again

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinícius de Moraes, in “Forma e exegese
in “Antologia Poética
in “Poesia completa e prosa: “O sentimento do sublime” “

Recém Nascida (update: ou ‘Obrigada, Jung!’)

newbornbaby_egg

Sonhei que paria. Uma menina.

Sonhei que paria uma menina. E tinha um homem… Tinha uma entidade familiar, mas muito familiar e masculina me acompanhando. Não consigo saber quem era.

Sonhei que paria uma menina. E foi sob a água morna de um banho cotidiano, de manhã cedinho, como sempre. Sem dor, só um desconforto. Mas com um desamparo e um desespero maiores do que tudo que eu já vivi.

Sonhei que paria uma menina. E tinham a respiração e o choro dela, baixinhos. E tinha o desespero dele, que eu não sei quem é. E tinha uma agonia enorme em mim.

Sonhei que paria uma menina. Eu não queria sequer olhar pra ela. Não queria pegar. Reconhecia, olhava e via uma coisa minha nela. Não sei se era uma marca de nascença, se era a cor dela, se eram traços meus. 

Sonhei que paria uma menina e acordei em pânico. Uma angústia que me amarrava a garganta, me empurrava o peito, me roubava o ar. Fiquei com muito medo.

Sonhei que pari uma linda menina. Revistei a cama, olhei meus filhos dormindo. Pensei em tudo que tá acontecendo e… Aquela menina nascida de mim, pode ser eu. 

LABIRINTO

O caminho para o centro não é reto nem é longo nem é algo que se ensine. O caminho para o centro é deslize, é tropeço, é não se dar conta de como se chegou lá. O caminho para o centro passa perto de onde perdemos o chão sob os pés.

(rené de paula jr.)

Eu postei isso, há exatos 3 anos… e  até engraçado perceber esses ciclos.

Quase sempre acho que o melhor movimento, antes da ação, é o recolhimento, é pra dentro. Quem faz antes, por reação, por reflexo, pode até se safar de alguma coisa, mas quase sempre vai ter que voltar pra consertar… E eu andei pra fora demais, nos últimos tempos.

Não bom. Não bom.

Mas pra dentro tb não tá muito bom, sabe?

Tô sem zona de conforto…