Arquivo mensal: setembro 2013

Leseira tropical. silêncios X palavras.

Tem dias como hoje, em que só escrever me salva. Não quero falar com ninguém. Sobre nada.
Temores, tremores (eu ia dizer frêmitos, mas é muito Florbela Espanca), medos… Uma coisa se avolumando por dentro. Densa. Uma massa de dúvidas e medos. E o calor… Que amalgama tudo numa leseira tropical.
Tem uns dias solares, claros, fortes que podem se tornar exatamente o contrário do que prometem ao amanhecer. E depois de tanta labuta, por encanto me lembro do caminho pra dentro e tudo parece tolo. Raso.
Tenho exigências de me tornar o que sou desde sempre. Olha que coisa que parece mais boba… E é nesse território tão meu que me movo, hoje, lentamente, me sentindo num pântano de sensações. Perdida numa nuvem escurecida de… estranhamento.
Logo eu que me acho conhecedora das minhas capacidades e limitações, do meu poder de mudança e no mesmo grau das minhas possibilidades de estagnação, entro na briga disposta a dilatar esses limites até onde for possível.
Tenho habilidades que reconheço e defeitos que tolero. Sou rápida, franca, clara, curiosa, leio tudo que me cai nas mãos, falo bem, sei lidar com pessoas (mesmo as mais difíceis) – gosto tanto da possibilidade de interferir em processos que melhorem a vida das pessoas , que faço isso até profissionalmente -, o meu bom humor constante. Sei ficar em silêncio e gosto. Hoje valorizo muito o que quero dizer, não falo por impulso, sou paciente. Do outro lado tenho a teimosia, a impaciência pro óbvio (hahahahaha que óbvio é esse, alguém há de perguntar), a intolerância com a grosseria e a humilhação que me faz virar um bicho esquisito de tão tosco, a indolência, a falta de disciplina.
Tenho aprendido muito sobre determinação e perseverança… Mas confesso que o caminho da procrastinação me tenta sempre com a beleza, intervenções em palavras e sons ao acaso, gentilezas, convites quase irrecusáveis de contemplação, papos descompromissados e gargalhadas me provocam a cada 15 minutos, senão com mais frequência.
No entanto, às vezes, como hoje, me dou ao luxo de ficar só. E um café, um livro e o silêncio me dão tudo que preciso. Além da tela em branco. 😉

SILENCIO_BANCO

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aaaasonho

Tem tanto tempo que não lembro dos meus sonhos…    

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Eu escrevo por pura teimosia. Quando não consigo dormir, não quero comer, conversar, ver ninguém. Nem TV. Nem ler.

Então, escrevo.

Capricornianamente, escrevo. Pra não esquecer. Pra lembrar de lembrar.

Escrevo pra falar de coisas que se apagarão da minha cabeça, fugirão da minha alma, feito pluma no vento.

Escrevo pra fazer barulho no teclado e não ouvir o ruído do coração.

Escrevo pra me despedir das dúvidas, descartar as possibilidades, colecionar sugestões.

Escrevo como quem senta no boteco pra falar bobagem.

Escrevo até embaralhar as letras, sentir dor nos punhos, trocar as linhas, cochilar no teclado.      

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Passa uma vida… Pra aprender a dividir o que há de mais fundo: Medos, angústias, poesias que boiam dentro do peito sem que ninguém saiba, dúvidas, suspiros, planos, choros solitários no Box do chuveiro sem que ninguém ouça, dores guardadas, abraços antigos, velhas esperanças, frios na barriga, vertigens, gozos, musicas íntimas, pânicos, alegrias plenas, respirações curtas, olhares eletrizantes, crises de riso cúmplices, amores e desamores.

Histórias de quem fui, como fui, até ser aqui.

E te falta coragem de ouvir.