dona, madonna ou coitadona

Conheço algumas dores do abandono, mas nenhuma delas pode ser pior do que a do auto-abandono. Parece impossível pra você?
Pois não é. La garantia soy Io!
Quantas vezes me larguei por ai?
Por pressa, objetivos super altruístas, metas sensacionais, projetos mirabolantes, filhos maravilhoso, casa, maridos e namorados lindos e cheirosos… até pelos cachorros e gatos, já, sim. Já me abandonei.
Já me abandonei por medo de me enfrentar também. E por preguiça de perceber um longuíssimo caminho sem retorno, no tal do auto-conhecimento. Mas me abandonei, várias vezes, e principalmente, por displicência e vontade de achar um culpado, pr’além de mim.
Sabe quando você descalça o sapato e ta com muito sono?
Ai do jeito que o sapato cair, você larga?
Ou quando você ta com pressa pra sair e veste a blusa do avesso?
Ou ainda, quando você devia ter ido à aula de ginástica, à reunião das amigas, à festa, ao raio que o parta, mas não foi… porque a vida tá muito corrida e você não tem tempo pra se dar prazer.

É dessa displicência que eu falo, com desculpa. Tudo muito explicadinho pra você justificar a sua ausência de si mesmo. Ai o foco vira todo pro lado de fora, as coisas, pessoas e fatos ganham uma importância estrondosa! E você depende de absolutamente tudo que não tem sua assinatura pra se sentir bem ou mal, linda ou a peste, feliz ou a mais miserável das criaturas sobre a terra. E o pior, não tem poder de mudar na-di-ca de na-da. Ora, por que?
Porque não foi você que fez! Foi a pressa, a vida. São as exigências…
Não é lógico?
Super entendível?

E assim se inicia uma vida no caminho da vítima, pra se tornar a passiva, a que sofre as ações do mundo contra si.

Mas , olha, é chato. Você fica chata. Mas insuportavelmente chata. E se procurar os amigos. Ninguém tolera a vitiminha do mundo. O máximo que vai encontrar é aquele amigo SAMU. Sabe? Aquele fofo, supersolícito, disponível, que faz tudo tudo que você precisa na hora do desespero, do buraco, quando você está pééééssima… Mas se você fizer menção de recuperação, ao primeiro sinal de “tudo azul”, ele desaparece?!
Dependendo do tempo de vitimização, é só ele que sobra.

Então, pra quê mesmo esse papel de vítima?
Fica bom não.

Agora, depois que você tomar as rédeas, resolver enfrentar a tal da vida de frente, vai ter trabalho. Não é pouco, não. ‘Cabô-se a tranqüilidade. Mas sabe o que mais?
Acaba a síndrome da coitadinha. Desaparece, que nem o amigo SAMU. E tudo do nosso jeito é mais gostoso. Respeita mais o nosso ritmo, se encaixa mais na nossa forma, mesmo quando dá errado. Mesmo quando é um desastre. E como a coisa é toda com você, ai se aprende a corrigir o prumo, mudar de lado, ver de outra forma. É quando a gente muda por necessidade e com gosto.
O outro lado da coisa é “se der certo”… Aí, você vai ter o enorme prazer de receber de bom grado, todos os elogios, louros e bônus of the world! Porque foi você que fez, sim!
Não tô dando indireta pra ninguém. Isso fui e sou eu. É só um exercício de memória e terapia.

But… se servir esse capuzinho, na vossa laureada cabecinha… be my guest. 😉

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