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Pitadinhas de delicadeza

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Davi, meu sobrinho lindo comemorou os três anos ontem. Eu cheguei na festa e ele estava com febre. Fui dar um beijinho e disse:

– Cachorrinho, vc tá com febre?
– Tia Belinha, eu não sou cachorrinho, sou menino grande.
– ô, meu amor, eu chamo assim de cachorrinho só quem eu amo muito, tá bom?
– Tá bom, cachorrinha.

***

Caio (6 anos) acorda, na MINHA cama – depois de uma longa labuta na noite anterior pra que dormisse na cama DELE -, olha pra mim e diz:

– Bom dia, mãe! Essa foi uma enganada da boa, hein?
– Ah, mas é muita cara de pau, filhote, era o que me faltava…
– …enganação BOA, eu disse, mãe, só de amor!

***

Belinha (10 anos) entra lá em casa e diz:

– Tia, me pinta pra uma festa?
– Claro! Vá se vestir, que depois eu faço sua maquilagem.

(sai correndo e volta num vestido esvoaçante roxo!)

– Belinha, esse vestido é seu?
– Antes não era. Agora é só eu querendo ser minha irmã* um pouquinho.

*que tem 16 anos!

Invernada

Tempo nublado, chove, faz um friozinho gostoso.
E eu adoro andar de casaquinho de lã angorá, twin set, meias, calças compridas ou saias até o pé… e botas.

Os programas do frio são uma delícia, não são?

Filminhos, jogos, livros, comidinhas quentinhas, chocolate quente, cafés incrementados, sopinhas, caldinhos…a família toda debaixo do mesmo edredon.

E Brasília fica um deslumbramento logo nas primeiras chuvas.
Depois de tanto tempo em tons de marrom, uma profusão de verde toma conta da cidade. As flores – flamboyant, bouganville, jasmin-manga – e as mangueiras prematuramente carregadas explodem em cores, entremeando os vários tons de verde.

E eu ando pasma pela cidade.

Ontem botei meu sobrinho lindo pela primeira vez de castigo.
Com o coração apertado, mas botei.
E não é que o moleque ficou lá sentadinho?
É… aos prantos.
Ele dizia: “Papai Pedro, me ajuda! Eu tô chorando!”
E eu fiquei entre a vontade de rir do drama e de chorar do sentimento que ele ficou.
Depois fizemos as pazes.

Eu não tenho remédio.
Adoro o céu cinzento.
As nuvens pretas que passam.
O minuto antes do raio
O segundo depois da trovoada.

Eu não tomo jeito.
Adoro o aconchego do abraço.
O cheiro quente do corpo
O átimo que antecede ao beijo.
A pausa depois do amor.

Eu não tenho salvação
Adoro o som de vozes
O ritmo da palavra cantada
O tom de lamento ou louvor
E o longo silêncio do final.

Quer saber?
Eu não tenho recuperação.
Nem quero ter.