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Lady Murphy ou a batalha em busca da secretária perfeita

você viu que o The Police vem ao Brasil, em dezembro, pra tocar no MA-RA-CA?
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O tempo continua péssimo, mas eu tenho me divertido horrores com as candidatas à minha secretária do lar.

(É, meu bem, eu disse empregada doméstica aqui, na semana passada, e recebi logo um puxão de orelha politicamente corretivo.)

Olha bem os melhores “momeintos”:

Vânia, 25 anos, separada, 1 filho de 5 que é criado pela mãe dela.
Pode dormir, tem referência.
Entrevista toda boa, ela muito fluente, simpática e foi atenciosamente carinhosa com Caio.
No final, eu pedi os documentos dela: carteira de trabalho, carteira de saúde, identidade.
Normal, né?
Lá vem ela: “mas tem uma coisa…eu não lavo… nem passo.”

Eu, em conversa autista imediata: sobra pra mim, por supuesto!

A propósito, eu vivo num apartamento de 3 quartos, sala, dependência de empregada…
Os meus dois meninos, eu e marido, mais cachorra Gaia.
Tomamos um café da manhã frugal, não jantamos, lanchamos…ou seja, ela vai fazer almoço e limpar a casa e dormir 17 horas por dia?

Claro que era e-xa-ta-men-te isso que eu tinha em mente.

Lá vem a Ilsiane (diz-se ilziane, por favor) do Piauí.
41 anos, sem filhos, amigada com um sujeito que ficou lá na terra dela.
Cozinheira de mão cheia, nunca tinha entrado num prédio na vida. Elevador?
“Graças a Deus que senhora mora no logo no primeiro piso. Porque eu não entro naquela caixinha lá, de jeito e maneira.”

Mas uma simpatia! Fiquei encantada, até que…

“Mas dona, eu antes cuidava era de uma casa com oito quartos. E o quarto de eu dormir era uma casa atrás, com cozinha e até um varandado só pra mim”.

E ela deixa claro que eu sou a mais miseravelmente pobre das patroas que ela já viu.

Lá na frente, ela me diz que o namorado ficou lá, mas que eles não se separaram, não.

Eu quero saber como vai ser, operacionalmente falando, isso. E ela me sugere, sorridente, que de 15 em 15 dias ela irá ao Piauí, ver o amado.

Eu tentei explicar que Brasília fica um pouco longe…que Piauí não é Goiânia.

Mas não é que fica longe, o problema. É que eu sou pobre e não posso mandá-la de avião, penso eu, com os meus surpresos e humilhados botõezinhos de classe média.

E atenção: a vaga ainda está aberta!

Increditavelmente, né mesmo?

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Da série: eu não sei viver sem

Um salário mínimo?

Nunca paguei!

Vai cozinhar, lavar, passar, arrumar, limpar e ainda dorme na minha casa?

Eu pago bem! Porque se tem um dinheiro que eu acho o mais bem pago do mundo é o da empregada doméstica.

Há duas semanas eu tô sem uma e, beibe, já tô perdendo gradativamente o meu humor. È uma coisa sem noção morar numa casa com três homens e um cão. Porque eles têm a ilusão de que as coisas surgem por geração espontânea
ou pensam que aqui é a casa dos Jetsons.

Minha mãe do céu! Eu to pra pedir o divórcio de todos três. Não fosse pelo fato de dois deles serem meus filhos, isso daria até certo. O cão, pobrezinho, é mais vítima do que tudo…é verdade. Mas fica nos meus calcanhares enquanto eu ando pela casa, varro, limpo, arrumo, cozinho. E no fim do dia eu quero MA-TAR!


Pois, quem estiver nas redondezas e souber, assim, de alguém, sem folha corrida na puliça, com bons antecedentes, que goste de criança e cão…e que saiba, ao menos, passar um bifinho (porque eu não troco por um danoninho), eu agradeço a indicação.


Na Bahia as pessoas dizem,

quando vc está fazendo o ‘silviço de casa’,

que vc está GRAXEIRANDO!

Óia, que verbo( no gerúndio ainda) inspirador!

E olha que eu adoro cozinhar. Eu adoro arrumar uma bela mesa. Adoro receber os amigos e a família pra uma boa comilança, mas cozinhar todo-santo-dia…putaqueopariu!

E lavar banheiro? Cousa do demônio!

Cara amiga-colega-dona-de-casa,
o que é lavar a panela de feijão e a assadeira de peixe, não é mesmo?

Nem nos meus mais perversos sonhos, eu poderia imaginar tal sensação.

Nota mental: comprar uma maquina de lavar pratos U-R-G-E-N-T-E!