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…doeu aqui!

Eu tava desavisada passeando pelo Blip.FM, quando cai nesse radinho AQUI do Gravataí. E dei de cara com essa música e… Lona, beibe! L-O-N-A!

Letra, música e interpretação de chorar ri-os!

Chicão, ficórse!

Valeu, Gravataí!

Tanto mar*
Chico Buarque

Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim

Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim

* Letra original,vetada pela censura; gravação editada apenas em Portugal, em 1975.

E essa foi a versão brazuca liberada:

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim

Ruim não podia ficar, porque aquele moço lá não sabe fazer mal feito.

É de manhã, vem o sol, mas os pingos da chuva que ontem caiu…

Sábado de manhã, sol com nuvens, Caetano “cantando eu mando a tristeza embora…”.
Uma preguiça infinita, modelo daqui-eu-num-saio-daqui-ninguém-me-tira. Fome/gula de acordar comendo que nem uma francezinha (croissants e manteigas e queijos deliciosos e chocolate quente) e a manhã voa…dá uma estranha sensação de poutz, eu perdi a metade do dia.
…Mas é sábado, vai. E eu posso perder até o dia inteiro preguiçando, uma vez ou outra. Sem culpa (é, eu tento).

Ai eu lembro como eu gostava, quando era menina, de ficar deitava, num dia como este – nem frio, nem quente, fresquinho e gostoso -, só admirando as coisas ao meu redor. E ganhei dessa época um encantamento que eu tenho comigo, de ver as pessoas que eu amo fazendo coisas simples, como se fossem as mais importantes do mundo. E que, na verdade, são.

E eu fazia um joguinho mental absolutamente solitário, que era o de “dedicar” a cada tarefa de cada pessoa, uma música. Às vezes era engraçado. Mas como sempre fui besta e mole pra rir, rir sozinha também virou um dos meus esportes.

Fiquei vendo meu filho mais velho dando comidinha e água pra Gaia, nossa cachorrinha, de um jeito doce e, que eu me lembre, deve ser a primeira vez que ele faz isso sem ninguém mandar. Pensei que ele já ta assumindo a própria vida. Ele deu outros sinais disso já, com a escola e a namorada e tals. E com a curiosidade com a cozinha, que eu, particularmente, acho lindo e encantador.

E ele ganhou ares de moço, estabelecendo prioridades, fazendo escolhas que eu até hoje acho difíceis de fazer…como não querer ir a um almoço de família porque acho mais importante, neste momento, ver os meus amigos. E ele é libriano – o que por si só já embute na pessoa uma dificuldade de decidir – mas ele decide, escolhe e enfrenta com doçura os questionamentos de, por exemplo, não ir ver os avós, neste caso. Eu fico UAU, como diz a Mary W.

“Oh, meu amigo, meu herói

Oh, como dói saber
Que a ti também corrói
A dor da solidão
Oh, meu amado, minha luz
Descansa tua mão cansada
Sobre a minha
Sobre a minha mão
A força do universo não te deixará
O lume das estrelas te iluminará
Na casa do meu coração pequeno
No quarto do meu coração menino
No canto do meu coração espero
Agasalhar-te à ilusão
Oh, meu amigo, meu herói.”

Porque a solidão não é só tristeza, é também essa coisa de tomar decisões by yourself, né? E crescer não é indolor.